sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Então é Natal, e o que você fez (com a comida)?

No dia 23/12 o Nem Cara Nem Coroa não podia ignorar o Natal, não é mesmo? Como tento sempre, vou atentar para o lado que ninguém vê dessa festa toda que normalmente vai até o ano novo.

A questão da sustentabilidade vem sendo empurrada por nós, cidadãos, para as empresas, as indústrias, as usinas elétricas (como discutimos em "Belo Monte"), mas ela é culpa, na verdade, dos nosso hábitos como consumidores. Empresas fazem o que é lucrativo. Se pararmos de comprar em excesso as empresas pararão de produzir em excesso e ai sim teremos uma mudança relevante na questão do impacto ambiental.

Desperdícios

Vou me concentrar, nesse post, nos desperdícios alimentares. Você sabia que jogamos mais comida fora do que comemos? Deem uma olhada no vídeo abaixo:


Agora pare por um segundo e reflita... Tudo que você viu no vídeo acontece no cotidiano, nos dias normais. Na sua casa, quando mais comida é jogada fora, em dias normais ou no Natal? Em que proporção? Acho que dessa vez nem vou precisar fazer conta para te dizer que os desperdícios de Natal do mundo inteiro, possivelmente, resolveriam a fome na África.

Como combater?

Existem quatro formas muito simples de reduzir bastante essas perdas tanto no Natal quanto no dia a dia ou em outros eventos.

1) Dimensione melhor a quantidade de pessoas que vai receber

Faça uma lista de convidados e peça que todos confirmem. Mesmo que alguns "penetras" apareçam na hora da janta, não deve ser mais do que 20% do número de pessoas confirmadas. Ou seja, se você tem 10 pessoas confirmadas para a ceia, faça suas compras pensando em 12 pessoas para garantir.

2) Faça as compras focado no peso de comida necessário para alimentar essas pessoas

Continuando o exemplo acima: Se eu tenho uma lista de 10 pessoas ou pelo menos uma noção de que esse é meu "público esperado", vou fazer compras pensando em 12. Reflita antes de começar: Quanto pesa um prato de uma pessoa normal? 400g, 500g, 800g? Claro que muda de pessoa para pessoa, de homem para mulher, etc, mas pode ter certeza: se comprar 1 kg de comida por pessoa vai sobrar comida e você não vai passar vergonha alguma. 

Faça o mesmo com a bebida. Entre águas e refrigerantes está de bom tamanho uma média de 2 litros por pessoa. Já as bebidas alcoólicas dependem muito da quantidade de beberrões que vão à sua casa e do quão bêbados você quer permitir que eles fiquem.

Finalmente, concluímos que temos que comprar/preparar 12 kg de comida e aproximadamente 24 L de bebida (+ as alcoólicas) - adapte os números a realidade da sua família mas não deixe de controlar dessa maneira a quantidade que deve comprar.

IMPORTANTE: distribua os seus 12 kg de comida de acordo com a variedade que deseja oferecer mas não esqueça de contar o peso de nada! Não são 12 kg de carnes! Arroz, maionese, rabanas, etc também pesam...

Lembre-se: Antes de se tornar um hábito, esse tipo de controle é um pouco chato mas é necessário e importante. Você vai economizar dinheiro e o planeta agradece o seu planejamento.

3) Aproveite os restos da ceia nos dias seguintes

Nada de jogar os restos fora! Com os dois passos anteriores já vai sobrar muito menos do que sobrava antes. Tudo que sobrar pode ser aproveitado no dia seguinte. Pesquise receitas que se pode improvisar usando esses pratos típicos de natal. Existem várias. Por exemplo o bacalhau pode ser aproveitado para bolinhos. Se não quiser ter mais trabalho não tenha medo de servir as mesmas coisas. Com certeza a variedade era grande na ceia e você agora terá a oportunidade de provar o que não comeu no dia anterior.

4) Doe as sobras para quem precisa

Se você não quiser comer as mesmas coisas no dia seguinte ou ainda tiver comida suficiente para um prato de comida sobrando num terceiro dia, não jogue fora, doe! Enquanto você joga comida fora tem um monte de gente na rua e em instituições de caridade precisando de comida. Certamente elas ficarão felizes em poder, mesmo que um ou dois dias depois, comer pratos natalinos que você temperou e preparou com carinho para a sua própria família.

Espero que esse post seja útil para vocês nesse Natal e no resto do ano também e, a propósito: Feliz Natal para todos.

=)




segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A polêmica dos pedágios

Bom, como eu também não conhecia o assunto até então, vou explicar brevemente do que se trata. Uma mulher, estudante de direito, vem passando ou tentando passar pelos pedágios Brasil a dentro sem pagar. Os principais argumentos dela são, em linguagem popular e sem citações das leis:

1) Direito de ir e vir e o fato do mesmo ser "inviolável". Isso faz com que pedágios, enquanto barreiras pagas, impeçam isso.

3) "Segundo Márcia (estudante em questão), as estradas não são vendáveis. E o que acontece é que concessionárias de pedágios realizam contratos com o governo estadual de investir no melhoramento dessas rodovias e cobram o pedágio para ressarcir os gastos. No entanto, no valor da gasolina é incluido o imposto de Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide), e parte dele é destinado às estradas."

Depois disso, Márcia ensinou formas de passar sem pagar que vão desde passar "juntinho" do carro da frente até "derrubar a cancela" que é de plástico e "nem arranha o carro".

Se você quiser ver tudo e ter certeza que eu não deixei de copiar nada importante para cá, lá vai o link:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=188971967845599&set=a.107798922629571.12039.100001983922856&type=3&theater

Não sou advogado, nem um grande fã/conhecedor das leis e do direito, mas eu tenho uma coisa que muitas vezes basta: bom senso. Se não for o caso, advogados do meu Brasil, me avisem! Terei toda a humildade de editar o post para que os argumentos estejam corretos do ponto de vista jurídico. Vamos ao lado da moeda que quem está concordando não viu (pelo menos eu acho que não):

Quanto as justificativas 1) e 2): Pensando exclusivamente no pedágio, parece bonito esse papo de que nada pode violar o direito de ir e vir e que portanto ela tem direito de passar por onde quiser e estar onde quiser... Será que, então, eu posso entrar num quarto de Motel e assistir um casal através desses mesmos argumentos? Afinal, a cancela onde tenho que pagar para entrar estaria tentando impedir a minha passagem e estaria violando o meu direito... Bom, acho que você já percebeu que não é bem assim que essa lei funciona. Acredito eu que esse direito é exclusivo para locais públicos, sob os cuidados dos órgãos públicos. Motivo pelo qual, infelizmente, qualquer um pode entrar numa universidade pública e perturbar as aulas (como eu sei que acontece regularmente).

Pensando nisso, eu conclui que ela teria o direito de ir e vir garantido se fizesse a viagem a pé, às margens da estrada, não? Me parece muito pretensiosa e romântica a ideia do "ir e vir" garantido em qualquer meio de transporte, não? Se ela pode passar a pé, o pedágio não é impeditivo do ir e vir dela, é só uma obrigação para quem quer ter o privilégio de passar de carro por uma estrada que está sob os cuidados de uma empresa privada. Lembrando que funcionamos sob o regime capitalista, não me parece ter nada de errado nisso.

Me parece que os direitos garantidos pela constituição podem ser mal interpretados como uma série de garantias comunistas (atenção às palavras usadas, estou dizendo que é "o que PARECE"). O direito de ir e vir é garantido a pé em locais públicos, privilégios a partir disso são pagos. Não é perfeitamente compreensível o que estou falando se juntarmos o fato de sermos capitalistas e termos esse e uma série de outros direitos que devem ser garantidos igualmente para todos, ricos ou pobres?

Para mim, o argumento dela soa igual ao seguinte: vou me apoderar, sem pagar, de um celular que está a venda e ninguém pode me impedir de fazer isso porque eu tenho o direito de me comunicar com meus parentes distantes. O que você me diria se eu falasse isso? Que provavelmente eu tenho sim o direito, indo lá e falando cara a cara com eles, não? Privilégios a partir daí são pagos. Esse é o mundo capitalista e cheio de direitos quase utópicos no qual vivemos!

Finalmente, para a constatação feita por ela em 3), existem, basicamente, três soluções: ou o governo não renova os contratos com as empresas responsáveis pelos pedágios (normalmente esses contratos duram algo da ordem de 20 anos. O "processo" demoraria já que, com certeza, alguns pedágios acabaram de ser instalados); Ou o governo rescinde os contratos com os pedágios existentes (devem existir algo em torno de 1.000 pedágios no Brasil e a multa rescisória de cada um com certeza passa da ordem de 10 milhões de reais o que garante um gasto astronômico para se fazer isso); Ou o imposto citado, o Cide, é reduzido, se limitando a pagar apenas a manutenção das vias "internas" de cada cidade, entregando de vez as estradas para pedágios.

Atenção para a frase confusa: Acho que estamos melhor do jeito que estamos do que estaríamos se adotássemos qualquer uma dessas soluções. Ou seja, acho que devemos ficar como estamos. Eliminar os pedágios é inviável. A história também nos mostra que "estatizar" coisas demais gera uma sobrecarga no governo e ele simplesmente não consegue tomar conta de nada direito. Além disso, os pedágios fazem, de certa forma, mais sentido porque você só paga pela manutenção de uma estrada quando está passando por ela. Sem os pedágios, com apenas a cobrança do Cide, o imposto seria elevado para cobrir todas as despesas, a sobrecarga no governo faria com que a qualidade das estradas naturalmente caísse e o que aconteceria é que todos que usam carro, mesmo aqueles que nunca saíram de sua cidade, pagariam pela manutenção das estradas a mesma coisa que caminhões que passam nela o tempo inteiro e a deterioram muito mais que carros de passeio.

Por outro lado, é inviável extinguir o Cide uma vez que as cidades se tornariam um caos com pedágios dentro delas e também porque existem estradas que as empresas privadas não querem porque não são economicamente interessantes. Por conta das ruas das cidades e dessas estradas que precisam existir, precisam de manutenção, mas que nenhuma empresa privada quer, também precisamos manter o imposto citado.

Tudo que disse nesse post é baseado no meu raciocínio sobre o assunto ao tentar mostrar o outro lado da moeda, sentido da existência desse blog. Se você não concorda ou enxergou uma falha no meu raciocínio, enriqueça o blog e faça um comentário aqui embaixo. Mas quando for comentar, lembre-se que estamos no mesmo time. Estamos todos querendo informar mais e informar melhor a população sem sermos redundantes com o que todos já dizem.





terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Violência no Rio? Tem certeza?!

O Rio de Janeiro, ao contrário do que você ouviu até hoje, não é mais violento do que qualquer grande cidade  brasileira. Consegui duas tabelas muito interessantes sobre o assunto que praticamente motivaram esse post. Elas trazem dados de homicídios de vários países e grandes cidades brasileiras. Vale lembrar que um lugar com muitos homicídios não é, necessariamente, um lugar mais violento do que outro com um número de assassinatos um pouco menor. Contudo, dados de assaltos não costumam ser divulgados e, pelo menos eu, não encontrei nenhum indicador melhor para violência do que esse. Embora a relação não seja necessariamente verdadeira em todos os casos, a gente sabe que na maioria das vezes as duas coisas andam juntas. Portanto, é razoável dizer que a taxa de homicídios representa a violência de um lugar, certo?

A primeira tabela é grande e está mal organizada. Para facilitar a vida de todos, refiz a tabela trazendo apenas o que é importante. Espero que confiem no meu "trabalho". Lá vai:

Fonte: Whosis e Census

Vale lembrar que a tabela não incluía o mundo inteiro. Na verdade, alguns países bem relevantes simplesmente não estavam nela (ex: China, Índia, etc.). Mas para o nosso propósito é suficiente, afinal, o foco é o Rio de Janeiro (já vou chegar lá, tenha fé!). O índice que vocês estão vendo é o número médio de homicídios por ano a cada 100.000 habitantes e os dados são praticamente todos de 2006. No Brasil, se aproximarmos a população do ano da tabela para 180 milhões, o cálculo do número total de homicídios fica assim: 180.000.000 x (25,8/100.000) = 1.800 x 25,8 = 46.440.


Não podemos esquecer que temos dimensões continentais e uma população bem grande perto da maioria dos países que estão aí. Isso naturalmente aumenta o índice. Em uma analogia um pouco tosca, é como comparar um salva vidas evitando problemas na piscina do seu prédio com 10 salva vidas tentando monitorar um parque aquático. Evidentemente, haverá mais problemas no parque, mesmo tendo um número maior de salva vidas.

De qualquer maneira, essa desculpa já não vale para os EUA, Rússia e até nossos vizinhos argentinos. Então, precisamos sim melhorar e estamos mesmo longe de sermos referência em segurança.

Agora, será que, tendo em vista a realidade brasileira, o Rio de Janeiro é uma cidade violenta, como quase todos os jornais e revistas importantes gostam de espalhar para os quatro cantos do planeta? A próxima tabela mostra a mesma taxa que você já viu acima só que para as 27 capitais de estados brasileiros.

Em 1997, a fama carioca podia até ter algum fundamento. Contudo, vamos nos concentrar no "presente". A primeira vez que olhei essa tabela foi um pouco impactante. Como pode atribuirmos tanta fama a cidade que é apenas a 14ª no ranking das 27 capitais? Se eu fosse um jornal tentando manipular as pessoas a favor do ponto de vista que me interessa através do texto, diria que o Rio está mais perto de ser a capital mais segura do país do que de ser a mais violenta. E o pior é que essa afirmação seria mais verdadeira do que a imagem que sutilmente foi passada ao longo dos últimos anos.

Embora você provavelmente já esteja de queixo caído a essa altura (assim como eu fiquei), vou um pouco além para te convencer de uma vez por todas de que o Rio não tem nada de especial nesse sentido.

Para entender o que vou falar a seguir, a menos que você entenda alguma coisa de estatística, será necessária outra analogia (seja paciente, por favor. Vale a pena!). Pense numa prisão que só tem condenados a morte. Agora imagine que os guardas façam todo dia uma "brincadeira" com os detentos. Eles escolhem 10 detentos e colocam eles na parede, um do lado do outro. Em seguida, eles jogam cara ou coroa. Se der cara, o 1º detento morre, se der coroa, ele volta para sua cela intacto. Depois a mesma coisa é feita com o 2º e assim por diante até completar os 10 detentos do dia. Num dia "perfeito", das 10 jogadas de moeda, 5 dariam cara e outras 5 dariam coroa, certo? Isso significaria dizer que 5 detentos seriam liberados e outros 5 morreriam. 

Mas, intuitivamente, a gente sabe que isso raramente vai acontecer, não é? A moeda quase nunca vai dar 5 caras e 5 coroas em 10 tacadas. Cada dia teremos um número diferente e seria totalmente plausível que em alguns dias morressem 9 detentos e em outros dias não morresse ninguém, certo? Também poderíamos ter uma semana histórica na qual todos morreram, não é?

Pensando na historinha que acabei de contar, concorda que existe uma chance de todas as capitais dos 27 estados serem igualmente violentas? Considerando essa hipótese como verdadeira, a diferença entre Palmas (27º) e Maceió (1º) seria apenas a sorte e o azar, respectivamente, que deram no ano de 2007, certo? Mas como testar se isso é plausível? Bom, isso daria pelo menos um mês de aulas de estatística que eu não vou me arriscar a dar nesse post. Só vou pedir que confiem nas contas que eu vou fazer e no resultado que vou apresentar.

Warning: Parágrafo assustador para quem não é engenheiro, estatístico, economista aventureiro (é piada, não preconceito, ok?), etc. Se você não é nada disso, pule para o próximo!
Considerando a hipótese que descrevi, fiz alguns cálculos com os 27 valores de 2007 como 27 medidas de uma mesma amostra. A média amostral é de, aproximadamente, 41,2 e o desvio padrão é de 19,6. Como a distribuição de probabilidade desse tipo de evento não é conhecida usei a normal. Por último, construí um intervalo de confiança de 90% usando o valor de referência da tabela padronizada (1,64). Finalmente, cheguei aos valores de 9,0 e 73,4 para os limites inferior e superior, respectivamente, do intervalo. Apenas os 3 primeiros valores da amostra de 27 saem do intervalo. Isso representa 3/27 = 11,11% o que evidencia, a princípio, que a distribuição normal é adequada a amostra já que, para essa significância, esperaríamos 10% dos valores fora do intervalo.

Agora que você já tentou entender o parágrafo acima e ficou assustado, vou traduzir numa linguagem que todos entendem. A conclusão que pude tirar com as minhas contas foi que é aceitável que esses números da tabela sejam aleatórios, assim como seria se observássemos vários dias distintos naquele presídio hipotético que descrevi. No presídio, teríamos dias com 9 mortos, 7, 3, 1, 5, 10, 0, etc, enquanto nas nossas cidades temos valores diversos entre 97 e 13. Não estou dizendo que é de fato aleatório o número de homicídios nas nossas capitais. O que estou dizendo é que essa idéia é aceitável, evidenciando que não há prova nenhuma nos dados de que uma grande cidade brasileira seja realmente mais ou menos violenta do que a outra. E uma coisa que todos podem entender é que a média da taxa em questão para as 27 capitais é 41,2. Portanto, o Rio de Janeiro, com 35,7, está abaixo da média nacional para grandes cidades.

Espero que tenham entendido a mensagem e passem a ler, a partir de agora, as notícias sobre a violência carioca com bem mais cuidado.




sábado, 10 de dezembro de 2011

Homens x Mulheres no mercado de trabalho

Você, assim como eu, já deve ter escutado várias vezes, principalmente na televisão, que as diferenças entre homens e mulheres estão diminuindo quando não dizem que já é praticamente nula, certo? Realmente, antes as mulheres tinham renda nula (porque não estavam no mercado de trabalho) e nas últimas décadas ela passou a ter uma renda considerável. Pode-se dizer que isso é uma redução na diferença, ok.
Contudo, desde que a mulher entrou no mercado de trabalho, um efeito "curioso" está acontecendo, principalmente aqui no Brasil, e eu não vejo muitas pessoas falando sobre ele...

O que direi a seguir, resumidamente, saiu dessa fonte e de muitas outras que confirmam os mesmos dados:

Em 2003, se um homem ganhasse R$ 100,00, uma mulher ganhava R$ 91,80.
Em 2011, enquanto o mesmo homem ganha R$ 100,00, a mulher passou a ganhar R$ 85,30

Como se já não fosse "bizarro" o suficiente a diferença estar aumentando na média, temos um outro efeito relacionado ao cargo/nível de escolaridade. Quando comparamos homens e mulheres em cargos executivos com graduação, mestrado ou mais, as diferenças chegam a 40%! Ou seja, se um homem com alto grau de instrução em um cargo importante de uma empresa ganha (valor hipotético) R$ 10.000,00 , uma mulher no mesmo cargo com a mesma instrução ganha R$ 6.000,00.

Esse problema existe no mundo inteiro. Mas nos outros lugares a diferença costuma girar em torno de 20%. O Brasil é um dos recordistas com essa diferença absurda de 40%. Enquanto isso a gente ouve aquele papo romântico de que o Brasil é uma nação que abraça todas as "raças", que não possui preconceito e blablabla...

Provavelmente como forma de contornar esse problema, uma série de efeitos colaterais estão sendo observados no comportamento feminino no mercado de trabalho. As mulheres estão se tornando mais empreendedoras. A concentração de empresárias vem crescendo consideravelmente e o número de mulheres empreendedoras brasileiras já se equipara ao número de homens. Além disso, as mulheres estão estudando mais do que os homens. No Brasil, são 3 milhões de mulheres contra 2,4 milhões de homens estudando em universidades. As mulheres representam 56% dos alunos de ensino superior e 51,5% dos doutorandos.

Os links abaixo falam um pouco mais sobre esses efeitos:




quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O preço do Brasil

Desde que as distâncias se encurtaram no nosso planeta e a informação corre solta via internet que nós, brasileiros, sabemos e reclamamos do fato de nossos preços serem absurdamente mais altos do que no exterior. A princípio, atribuímos esse custo extra a fatores como transporte intercontinental e impostos de importação. Contudo, o tempo levou grande parte do setor fabril de todos os países para a China, indústrias dos mesmos produtos (como no exemplo dos carros) também foram criadas aqui, no Brasil, e ainda assim nossos preços são maiores.
Finalmente, chegamos ao argumento moderno (e falacioso, motivo pelo qual escrevo esse post), de que o motivo são os altos impostos brasileiros. Não sei se estão lembrados os mais antenados mas, em abril desse ano, incentivado por um jornal, o Felipe Neto até promoveu uma campanha falando mal do governo e colocando a culpa de tudo nos impostos. 

Para quem não viu:

Agora você está se perguntando por que ele está errado se foi tão convincente e os preços que citou são todos verdadeiros. Eu vou explicar porque.

Deem uma olhada no ranking de impostos desse link aqui (se concentrem no primeiro ranking, no qual estão presentes Suécia - 2º lugar e Noruega - 8º lugar):

Por último, vejam essa tabela de preços europeus para o iPad 2 na época do vídeo do Felipe Neto:

No mês de março de 2011, quando a tabela foi feita, a cotação do euro era de, aproximadamente, R$2,30. Para fazermos a comparação de preços toda em reais, seguindo o que fez o Felipe Neto, precisamos multiplicar os preços que interessarem na tabela por 2,30. Vou me concentrar em três países, vocês já devem imaginar quais.

Noruega
Carga tributária média: 41,00%
Preço do iPad 2 3G 64 GB: 2,3 x 926 = R$ 2.129,80
Preço do mesmo produto sem impostos (estimativa): R$ 1.510,50


                                 
 Suécia
Carga tributária média: 46,40%
Preço do iPad 2 3G 64 GB: 2,3 x 809 = R$ 1.860,70
Preço do mesmo produto sem impostos (estimativa): R$ 1.270,97

Brasil
Carga tributária média: 34,50%
Preço do iPad 2 3G 64 GB (retirado do vídeo) R$ 2.400,00
Preço do mesmo produto sem impostos (estimativa): R$ 1.784,39


Espero não estar confuso para ninguém. Se quiser conferir as contas, basta pegar, por exemplo, o valor estimado para o Brasil, R$ 1.784,39 e acrescentar 34,50%. 1,345*1.784,39 = R$ 2.400,00

Tive o cuidado de chamar todos os valores de estimativas porque essa é a carga tributária média do país. Isso não significa que todos os produtos possuam essa carga exatamente. Existem produtos que têm incentivos fiscais e existem outros (como cigarros e bebidas) que possuem seus impostos aumentados como forma de compensação. Se fizer o que fiz com um grande número de itens, no entanto, deve encontrar o mesmo tipo de resultado o que reduz a chance de ser uma mera coincidência o que encontramos. Pulando esse papo estatístico chato, vamos enfim analisar o que encontrei!

Perceba que, para os três países, girou em torno de 600 reais o valor dos impostos e, mesmo assim, existem discrepâncias grandes de preços. O iPad na Suécia é quinhentos e poucos reais mais barato do que o nosso SEM IMPOSTOS. E o iPad também não é produzido lá... Então, o que está acontecendo afinal com nossos preços?

O Brasil sofre, hoje, um grave "apagão logístico". Isso significa que, para o tamanho de nossa economia e a demanda por transporte de mercadorias que temos, simplesmente não possuímos meios suficientes e adequados de escoar produtos. No Brasil, pagamos muito mais caro pelo transporte de cargas do que se costuma pagar em outros países. Isso se deve, principalmente, ao fato de termos estruturado o transporte de um país com dimensões continentais baseado em rodovias.

Olhem os dois mapas do link abaixo e os rankings divulgados em cada um deles:

O Brasil é o 5º maior país em território e a 6ª economia global. Por que não aparecemos sequer no Top 10 dos países com maior malha ferroviária? O Japão, com o tamanho que tem, possui uma malha maior do que a nossa. Até mesmo nosso vizinho, a Argentina, tem o transporte ferroviário mais desenvolvido do que o nosso. Isso sem entrar no mérito do transporte hidroviário.

Existem mais uma dezena de dados que poderia mostrar para reafirmar o nosso apagão logístico. O grande ponto nisso tudo é: estamos perdendo competitividade e tirando o acesso de nossa população aos produtos graças, em boa parte, ao preço que pagamos pelo transporte dessas mercadorias dentro do território nacional!

Então está explicado a diferença de preço? Ainda não! Existem um terceiro fator chave que uma campanha agora está abordando de maneira brilhante no contexto da indústria automobilística. Deem uma olhada:

O fato, muito relevante e até agora pouco citado não é possuirmos altos impostos - os países mais desenvolvidos do mundo possuem impostos ainda maiores. Só precisamos, nesse campo, investir bem o dinheiro arrecadado em serviços para a população; Também não é o nosso apagão logístico - que faz o preço do transporte subir muito o que acaba sendo repassado para o preço final que pagamos pelos produtos; O fato é que as empresas aumentam sua margem de lucro quando vendem produtos no Brasil porque nós, otários, engolimos e pagamos!! O brasileiro é tão obcecado por status e por produtos criados no exterior que, quando esses itens chegam aqui, sejam jogos, carros, iPads ou o que for, aceitamos pagar mais caro que os outros para tê-los também.

É assim que nosso produto fica mais caro:
Preço pago em nações desenvolvidas (incluindo impostos) + custo extra de transporte ruim + lucro extra das empresas = Preço brasileiro




segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Belo Monte

Todo mundo que está um pouquinho antenado já deve ter visto alguns vídeos e discussões sobre o assunto. Achei pertinente fazer meu primeiro post sobre ele.

Infelizmente esse é um daqueles assuntos no qual os famosos resolvem se meter e gente poderosa por trás deles mexe os pauzinhos para gerar desinformação geral e lucrar de alguma maneira com isso. O mais triste nessas horas é ver as pessoas, em massa, aderindo a campanhas extremamente superficiais só pela roupagem que foi dada a elas e pela credibilidade (que não sei de onde veio) que é dada aos famosos.

Sendo responsável, esse é o tipo de assunto que nós, leigos, não deveríamos meter o bedelho nem assinar campanha nenhuma! Reflita por um minuto... O que você sabe sobre geração de energia? E sobre a geografia do país? O que você sabe sobre o sol que recebemos, os ventos que aqui sopram, as águas que aqui correm, os custos, as tecnologias que temos dentro da realidade brasileira, sobre a região que escolheram para a usina....? Dá para continuar essa lista até amanhã! O fato é que não sabemos 1/1000 dos fatores que são considerados nesse tipo de decisão. Considerando que o assunto é discutido pelos nossos representantes e por uma larga equipe de especialistas a mais de 30 anos, incluindo índios e ambientalistas, é praticamente uma piada, por causa de um vídeo de 5 minutos sem uma informação verdadeira sequer, um mutirão de leigos como nós resolver decidir no lugar do governo e dos especialistas. Se você não quer se aprofundar no assunto, pode parar aqui que já tem motivo suficiente para não assinar nada.

Como meu objetivo aqui é contribuir, não vou repetir o que meus colegas em prol da real conscientização já falaram e muito bem falado. Ao contrário disso, vou divulgar os vídeos deles.








(assistam também as partes 2 e 3 desse último vídeo!)


Acrescentando:

1) O financiamento da usina só não foi feito pelo setor privado porque o nosso governo queria pagar muito pouco pelo produção da usina tornando o projeto economicamente inviável para empresas privadas que teriam que vender a energia a preço de banana. Ou seja, foi decisão do nosso governo bancar a obra ao invés de reformular a proposta.

2) A região é realmente distante dos principais centros consumidores. Mas, quando estiver funcionando, a usina poderá atender toda a região norte, nordeste e centro-oeste liberando as usinas ao sul, principalmente Itaipu, para atender o sul e o sudeste. Assim, a energia não vai percorrer distâncias enormes como está sendo falado. Ao contrário, A geração se tornará mais regionalizada reduzindo as distâncias percorridas.

3) Itaipu é nossa principal fonte de energia e não é uma usina brasileira. Itaipu foi criada em 1973 numa sociedade entre Brasil e Paraguai onde cada país é dono de 50% do capital da usina e de sua energia gerada. Para quem gosta de polêmicas, vale lembrar que o Paraguai não tinha o dinheiro para bancar 50% da usina na época e pegou emprestado com o Brasil. A dívida permanece até hoje e é de 18 bilhões de dólares a serem pagos até 2023. A parte realmente importante dessa história de Itaipu é que o Paraguai, embora seja dono de 50% da geração, usa apenas 5% e o Brasil, que só é dono de 50%, usa 95%. Ou seja, 45% de toda a energia gerada por Itaipu o Brasil compra do Paraguai. Até 2009, o Brasil pagava US$ 45,31 / Mwh o que representava, por ano, um custo de US$ 120 milhões para nós. Em 2009, esse valor foi renegociado e o Brasil cedeu às pressões paraguaias TRIPLICANO o valor anual. Hoje, pela mesma energia, pagamos US$ 360 milhões. Note que estamos falando em dólares! Considerando um câmbio compatível com esse ano (1,80 R$/US$), podemos dizer que pagávamos 216 milhões de reais e aumentamos esse valor, de uma hora para outra para 648 milhões. Um aumento de 432 milhões por ano (+200%) para a compra da energia de um país que nos deve 18 bilhões de dólares.
Acho que está bem claro que estamos perdendo poder de barganha quando o assunto é energia, certo? A verdade é que estamos com a corda no pescoço graças a crescente demanda por energia e a falta de infraestrutura do nosso país para supri-la. É como um viciado em drogas comprando no último fornecedor que possui a quantidade que ele precisa. O que você acha que vai acontecer com o preço? Pois é!
A construção de Belo Monte é essencial para restabelecer o poder do Brasil nas negociações com o Paraguai. Voltando a analogia, é como se o viciado em drogas estivesse planejando fazer uma plantação enorme para suprir suas necessidades. Será que fazendo essa plantação ele continuaria a ser extorquido pelo último fornecedor? Eu duvido!
Como isso não é uma campanha e esse tópico ainda não vi nos vídeos, se quiser fontes, procure "renegociação do preço pago pela energia de itaipu 2009" no google e chuverão fontes confiáveis para esses números!

4) É muito delicado falar sobre isso por conta de todas as questões culturais e o apego a terra que existe entre os indígenas e ribeirinhos. Toda a população desses dois grupos que está presente nos arredores da futura usina soma, mais ou menos, 40 mil pessoas. Em primeiro lugar, qualquer outra solução para o nosso problema energético afetaria muito mais pessoas e de formas bem piores do que uma "mudança" - o que será feito com esses nativos.
Em segundo lugar, os ribeirinhos moram, hoje, em casas extremamente precárias, piores que os "barracos" das comunidades carentes das grandes cidades (procure casa de ribeirinho no google images). Eles serão mudados para casas de alvenaria construídas por técnicos e projetada por engenheiros e arquitetos com energia elétrica, laje e tudo que tem direito.
Em terceiro lugar, não podemos simplesmente olhar para uma minoria e decidir olhando apenas isso. Essa é uma decisão que afeta a todos os brasileiros e a imagem do próprio Brasil no exterior. Pensando nisso, você acha sensato não incomodar em nada essas 40 mil pessoas e, com isso, atrapalhar indiretamente a estratégia de todo o país e seus 200 milhões de habitantes? Ainda mais considerando que qualquer alternativa incomodará mais de 40 mil pessoas só que em outra região?! Pense bem! A proporção que estamos falando é a seguinte: incomodaremos 1 pessoa para favorecer 5.000. Imagine que o sindico do seu prédio bata a sua porta e diga que você tem que se mudar para um bairro melhor ao lado tudo pago pelo governo para favorecer 5.000 pessoas com a sua mudança. Você vai ou não? Sinceramente, acho que índios e ribeirinhos não tem mais direito do que eu ou qualquer outro cidadão de ser egocêntrico. E esse, na minha opinião, é um direito que ninguém tem!
Eles serão prejudicados? Evidente! Mas pense no que eu disse. Não estamos falando de matar ninguém nem de guerra como estão divulgando. Estamos falando de uma mudança para casas melhores, inclusive, de 1 pessoa para favorecer 5.000.

Isso não é uma campanha, não oferecerei nenhum abaixo assinado a favor da usina mas espero, junto com meus colegas dos vídeos e muitos outros que estão individualmente se manifestando contra o movimento, ter atingido o objetivo desse blog com esse e com os muitos posts que vem por aí. Se for tomar partido do assunto, leve tudo que foi dito nos vídeos e aqui em conta, não só uma campanha sensacionalista. Atores são humanos como nós e sua especialidade é atuar. Eles não têm mais credibilidade que nenhum leigo para falar do assunto. Então, se for ouvir os leigos, ouça todos eles! Ou então, ouça apenas os especialistas.