sábado, 28 de janeiro de 2012

Por que o mundo parece estar caminhando para o caos?

Bom gente, como prometi no final do último post, vou continuar o assunto "violência no mundo" só que dessa vez explicando porque, afinal, achamos o mundo tão mais violento hoje se ele está mais calmo.
(clique aqui para ver o último post: "O mundo nunca esteve tão calmo")

Existem várias possíveis razões, todas tiradas da minha cabeça, com as minhas palavras, e sem comprovação nenhuma. Então, por favor, critiquem se achar que disse besteira. Você tem grandes chances de estar certo! Sem mais delongas, vamos ao que interessa:

O crescimento do jornalismo

A chegada dos meios eletrônicos, o surgimento da "liberdade de imprensa", vários outros fatores e, por último, o surgimento da internet possibilitaram o que vemos hoje nos grandes portais de notícias e no twitter: todos os fatos que acontecem em todos os lugares relatados em tempo real tanto pelas empresas quanto pelas próprias pessoas. Antes da internet isso era impossível e antes dos jornais terem recursos eletrônicos em geral a situação era ainda mais precária.

Pense bem sobre esses dois quadros. Até umas três décadas atrás você só ia ficar sabendo de um assalto em um ônibus se algum conhecido estivesse presente ou fosse a vítima e contasse para você (o que nem todos fazem). A mesma coisa é válida para aviões caindo, sequestros, assassinatos, etc. Embora alguns desses eventos fossem noticiados os jornais não tinham espaço, nem tempo, nem capacidade de receber, editar e publicar TODOS os eventos como nós vemos hoje. Além disso o boca a boca agora é no mural do facebook. Você não conta para um amigo, você conta para 300 ou mais.

Densidade demográfica

Bom, o tempo todo no post sobre violência usei um indicador muito comum que é o número de homicídios para cada 100 mil habitantes. O problema é que 100 mil, hoje, é a população aproximada da rocinha. No período mais violento, o tempo dos caçadores - coletores, esse mesmo número de habitantes precisaria de um espaço mais de 100 vezes maior para encontrar comida e caça suficientes para a sobrevivência.

Para vocês terem noção do que estamos falando, improvisei um mapinha com a ajuda do google maps e do paint. Nas duas imagens a área destacada em vermelho é a rocinha, onde 100 mil habitantes moram nos dias de hoje.

A esquerda, a Rocinha está "em close". Na segunda imagem, onde a rocinha é apenas um ponto, toda a região aparente (incluindo Petrópolis, Andrade Pinto, Barra do Piraí, etc) é a área que essa mesma população ocuparia há 10.000 anos atrás.


De quantos eventos você acha que os caçadores - coletores eram capazes de saber ou de ver? Mesmo hoje, com a internet e tudo o mais, você sabe as notícias referentes a São João de Meriti, Nova Iguaçu, Petrópolis, etc? Todas as pessoas que viviam se matando espalhadas nesse território, se fossem concentradas na Rocinha, iam ver ruas cheias de sangue e pessoas se matando todos os dias. Logo, teriam uma noção muito diferente do quão perigoso era o mundo delas, não acham?

Ao longo desses 10.000 anos o homem nunca se dispersou. Ele se concentrou constantemente até chegar aos arranha-céus das últimas décadas. Numa escala menor, certamente esse efeito faz diferença na visão de quem nasceu antes dos anos 80. A concentração era menor, via-se menos coisas.

Juntando os pedaços

Pare e reflita agora sobre tudo de uma vez só.

Há 30 anos

- Você via poucas coisas acontecendo porque estava rodeado por pouca gente.;
- Você só conversava com amigos e familiares - raramente com apenas conhecidos ou até desconhecidos;
- As pessoas próximas a você tinham menos "eventos" para contar porque viam e ficavam sabendo de menos coisas (assim como você);
- Os jornais noticiavam o que julgavam ser importante mas não te mostravam nem 1% de tudo que acontecia;

Hoje

- Você cruza com muito mais pessoas no seu dia a dia porque as cidades estão bem mais cheias - consequentemente você vê mais coisas acontecendo;
- Você publica em tempo real no Facebook o ocorrido com você ou perto de você para mais de 300 pessoas verem - incluindo pessoas que você só conhece de vista (isso se ninguém compartilhar);
- Você vê 300 pessoas ou mais fazendo a mesma coisa - muitos acontecimentos aparecem no mural;
- Daqui há 5 minutos o fato é noticiado no rádio e aparece em mais de 10 portais de notícias para o mundo inteiro - Você lê nos portais tudo que você viu e tudo que você não viu.

Bom, na minha opinião, esses são motivos suficientes para explicar porque achamos o mundo mais violento, mesmo que ele não esteja. Na verdade, só estamos aprendendo a lidar com a realidade como um todo enquanto só estávamos habituados a olhar para 1% dela. Nesse primeiro momento, isso assusta. Mas se formos conscientes dos fatores que expliquei aqui, acredito que poderemos aprender a conviver com isso mais tranquilos.




quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O mundo nunca esteve tão calmo

Depois de mostrar que o Rio de Janeiro não é uma cidade violenta para os padrões brasileiros (para quem ainda não viu http://nemcaranemcoroa.blogspot.com/2011/12/violencia-no-rio-tem-certeza.html), resolvi ir um pouco mais a fundo no assunto violência e mostrar para você que o mundo nunca esteve tão calmo.

Para me ajudar nessa tarefa, vou pedir ajuda a um renomado palestrante e pesquisador que concedeu uma palestra interessantíssima sobre esse assunto para o TED. O vídeo tem 19 minutos. Só para dar um gostinho das revelações que ele faz nesse vídeo, vou citar três de suas frases comparando os tempos de hoje com diversas épocas diferentes da história da humanidade.

"Se a taxa de mortalidade das guerras tribais valesse para o século XX, teria 2 bilhões de mortes em vez de 100 milhões" - Note que as 100 milhões de mortes do século XX incluem todas as guerras mundiais, guerras civis, conflitos no oriente médio, etc.

"O tipo de infração que hoje em dia lhe causaria uma multa naqueles tempos (idade média) poderiam resultar em ter a língua cortada, orelhas arrancadas, ser cegado, ter uma mão amputada e por ai vai." - Na idade média penas de morte eram aplicadas para quase qualquer tipo de infração. Roubar pão ou falar mal do rei que hoje geram no máximo uma cara feia ou uma confusão na delegacia na época eram causa de tortura seguida de assasinato.

"De acordo com ONGs que fazem essas estatísticas (de homicídios) desde 1945 (...) houve um acentuado declínio de guerras entre estados, revoltas étnicas ou religiosas, golpes de estado, etc." - E o pico de violência do século XX (de 1901 até 2000) foi nos anos 60 (você provavelmente conhece pessoas que viveram nessa época e falam que o mundo hoje é muito violento, não é?)

Para quem não se garante no inglês (tipo eu mesmo), vou deixar o link do vídeo original onde é possível incluir legendas:
http://www.ted.com/talks/steven_pinker_on_the_myth_of_violence.html





Complemento

Fonte: Super Interessante Jan/2012



Agora que você viu o vídeo, vou apenas fazer duas considerações que julgo importantes já que o vídeo foi feito com foco principalmente na Europa:

1) Os principais motivos mostrados por Steven para a redução da violência na Europa também se aplicam, talvez apenas de forma mais tardia, ao resto do mundo.

2) Desde 2006/2007 a taxa de homicídios para cada 100 mil habitantes do Brasil caiu de 25,8 para 19 - número que faz do nosso país um lugar relativamente violento para o nosso grau de desenvolvimento econômico. Agora compare esse número com o relativo a sociedade de caçadores - coletores (modo de vida de todo ser humano antes da invenção da agricultura - aproximadamente 10 mil anos atrás).






Como sempre, comentem, critiquem, divulguem e deem idéias para novos posts! O blog e eu, pessoalmente, dependemos da sua participação para melhorar em todos os sentidos.

PS: O próximo post será uma continuação desse assunto. Explicarei prováveis razões pelas quais achamos esse tempo todo que o mundo estava cada vez mais violento enquanto a verdade - até então oculta - dizia o extremo oposto.




domingo, 8 de janeiro de 2012

A meia entrada deveria SIM acabar

Para a galera que está acompanhando o blog fielmente peço desculpas pelo "período de estiagem" mas achei que seria oportuno parar de postar nas semanas que todos também param de ler.

Esse post veio para tranquilizar os estudantes e, se possível, fazer com que eles próprios defendam o fim da meia entrada. Tenho observado muitas pessoas que atualmente pagam meia "desesperadas" com essa ideia e, então, resolvi vir aqui explicar porque todos devem se acalmar e até apoiar a iniciativa!

Bom, como ninguém é obrigado a ser bom em matemática, vou falar o tempo inteiro baseado em um exemplo: um teatro com capacidade para 300 pessoas. Vamos entender o que acontece:




Como funciona hoje

A verdade é que a grande maioria das pessoas pagam meia no Brasil ou porque tem direito ou porque "consegue" o direito - se é que vocês me entendem. Os promotores de qualquer evento, no nosso caso, de uma peça, sabem muito bem disso e se planejam para receber uma quantidade característica de pagantes de meia entrada. Como eles fazem:

Suponhamos que saibam, historicamente, que 80% do público entra pagando meia.

Quanto da isso no nosso teatro: 80% de 300 = 0,8*300 = 240

Portanto, espero receber 240 pagantes de meia e 60 pagantes de inteira caso lote a casa. Bom, como promotor do evento, quanto eu quero ganhar para pagar meus custos e sair com um lucro legal? Vamos supor que eu queira R$ 9.000,00 em uma peça.

Agora vamos as contas que eles fazem:

O preço inteiro é p, 60 pessoas pagam inteira, então de inteira vou receber 60*p
A meia é, logicamente, p/2 e 240 pessoas pagam meia, então daqui receberei 240*(p/2) = 120*p (240 pessoas pagando meia são iguais a 120 pagando inteira, perfeito?)

Então tudo que eu vou arrecadar nesse dia será 60*p + 120*p e isso deve ser igual a 9000 que é quanto eu quero ganhar.

Então... 180*p = 9000 -> p = 50.

Se você não está nem ai para a matemática e confia no que eu fiz entenda apenas que, considerando que 80% das pessoas pagarão meia o preço da inteira foi calculado em 50 reais (e a meia em 25) para que se possa arrecadar R$9.000,00 num dia de casa lotada.




Como seria sem meia

Agora vejamos como seria essa mesma realidade (quero arrecadar R$9.000,00 de 300 pessoas) se não existisse meia.

Dessa vez a matemática é bem simples:

Tenho um preço p que vale para as 300 pessoas. Então estou arrecadando 300*p que quero que sejam iguais a 9000.

300*p = 9000 -> p = 30.

Conclusões

1)Numa situação como essas, você que paga meia está economizando 5 reais em relação a situação em que a meia não existe e, por causa de você, quem não paga meia está gastando 20 reais a mais. Você acha isso justo/certo? Você está tendo, na realidade, um desconto de 16,67% e quem paga inteira está pagando 66,67% a mais

2)Estamos falando de teatro mas todos sabemos que isso acontece em quase qualquer lugar que vende ingressos. Faz sentido estudante ter direito a meia entrada em jogos de futebol? Aquilo acrescenta cultura, leva ao estudante algo de fundamental para sua formação (considerando que é transmitido gratuitamente pela TV)?

3) Na maioria dos casos, quem paga meia não paga com o próprio dinheiro e sim o dos país, certo? Se a meia não existisse e você fosse a esse teatro com o seu pai ele pagaria 60 reais pelos 2 ingressos (2*30). Com meia, ele paga 75 (50+25), 25% a mais.

Vamos deixar de ser "malandros" e começar a criar uma inteligência coletiva, que tal? O fim da meia torna programas em família mais baratos, aumenta muito pouco o preço para quem paga meia atualmente e reduz drasticamente o preço para quem paga inteira. Seus pais também tem direito de aproveitar as coisas a um preço razoável!

Afinal de contas, quanto mais pagantes de meia comparecem, mais o preço da inteira sobe o que estimula ainda mais os pagantes de meia já que ninguém que paga inteira tem coragem de comprar um ingresso. No final você tem o teatro ou o cinema, ou seja lá o que for lotado de pagantes de meia. Preciso explicar que o preço seria o mesmo se a meia não existisse?

Comentem as opiniões de vocês sobre esse post e sobre o blog, é importante para mim!