domingo, 25 de março de 2012

Vamos discriminar mais as pessoas! - parte final

Bom, depois de plantar a sementinha desse assunto no primeiro texto e preparar bem o terreno para ele na segunda parte, é hora de, sem mais mistérios, explicar tudo e deixá-lo com aquela sensação de quebra cabeças montado. Pelo menos, essa é/era a intenção!

O final


Relembrem a situação descrita na parte 2... Temos o homem com a vocação de ser caçador e a mulher com a vocação de cuidar das crianças mesmo que os dois, nesse primeiro momento, não tenham nenhuma grande diferença de habilidade. Como expliquei, é só uma questão de estratégia mesmo. Contudo, a sobrevivência nas caçadas se mostrou mais fácil com uma lista X de características enquanto a sobrevivência na caverna, cuidando de crianças, se tornou mais fácil com uma lista Y.

X - Os homens

1) Nos tornamos mais musculosos e, portanto, mais rápidos, mais fortes e mais capazes de voltar vivos de uma caçada e de sermos mais admirados pelas mulheres - mais sobrevivência e mais filhos = seleção natural

2) Ganhamos uma visão espacial superior o que aumentou nossas chances de interceptar um animal em movimento ou de acertar uma lança ou uma flecha atirada a distância - hoje faz a gente sacanear as mulheres dirigindo e nos faz ficar tão confiante que resolvemos andar a 200 km/h no engarrafamento e na beira de abismos causando mais acidentes do que elas (esse é o nosso jeitinho de aproveitar nossas vantagens)

3) Desenvolvemos uma engenhosidade maior, capaz de criar ferramentas para o dia a dia, casas que possibilitaram a saída das cavernas e o aumento dos grupos e armas melhores para a caça nos tornando capazes de matar animais muito maiores e mais fortes do que nós. Onde nasceu a engenharia.

4) Ganhamos um raciocínio lógico incrível, capaz de criar estratégias surpreendentes de caça e defesa do próprio território. Mais tarde fez de nós cientistas.

5) Nos tornamos capazes de separar quase completamente as emoções da lógica o que nos deu a capacidade de ignorar nossos medos durante guerras e caçadas e seguir rigorosamente os planos.

6) Os tarados também proliferaram mais e eram melhores para a sobrevivência e expansão da espécie. Portanto, ganhamos uma dose extra de libido o que, junto com a característica acima, fez a gente ter apetite sexual com fome, cansado, preocupado, com dor de cabeça, com a mulher que amamos, com a irmã dela, com a mãe, com a cabritinha, sozinhos...

Y - As mulheres

1) Se tornaram incríveis em multitarefa, dando a elas a capacidade de falar para o pedrinho não botar a mão no cocô, enquanto tira a luluzinha da boca do leão, enquanto amamenta um recém nascido, enquanto corta o alce morto para cozinhar, enquanto acende a fogueira... Fazendo com que seus filhos sobrevivessem com mais frequência já que ela podia administrar todos com uma certa eficiência.

2) Ganharam uma visão periférica excepcional, capaz de ver uma pequena sujeira no bebê ou de ver a aproximação de um inseto minúsculo, porém venenoso. Fez com que as mulheres garantissem um ambiente limpo e seguro em suas "casas". Hoje é o que faz os homens parecerem completos retardados ao procurar durante 30 minutos algo que elas acham em 10 segundos dentro de uma gaveta.

3) Se tornaram especialistas em comunicação, principalmente a não verbal. Bebês não falam e boas mãe precisam saber quando ele está com fome, sede, doente, etc... As mãe com maior capacidade de perceber mensagens que nunca foram ditas tinham mais chances de manter o seu bebê vivo e saudável o que proliferou essa característica. Hoje faz elas serem muito melhores com as palavras e perceberem muito melhor que os homens quando alguém está triste, mentindo, dando mole, etc.

4) Suas emoções e pensamentos se misturam o tempo inteiro. Isso faz elas surtarem as vezes, nós sabemos! Mas é um contraposto importantíssimo em relação ao homem. Essa característica fez da mulher a peça chave em criar ambientes harmônicos e fazer laços. Trouxe estabilidade e coesão para as famílias e talvez tenha sido o fator responsável por criar famílias.

5) Desenvolveram maior resistência a dor. Essencial para sobreviver a partos normais em quaisquer condições e para fazer depilação com cera quente.

6) Possuem um apetite sexual complexo. Tudo em prol da melhoria da espécie! Diferente dos homens, ter um bebê para elas é um grande investimento. Portanto, precisam sentir que aquele homem é um bom provedor de comida e segurança, que se importa e não vai abandoná-la e que possui características que façam de seu bebê o melhor possível - inteligência, vigor físico, etc.

Conclusão

Como já tinha dito, nada disso é absoluto. Logicamente, também nasceram mulheres com as características descritas como masculinas e homens com as características femininas e não tem nada de ruim ou errado nisso. Essa divisão apenas se mostrou a mais eficiente possível naquele contexto de pré história, quando o ser humano estava se moldando para ser o que é hoje.

Nosso mundo se tornou muito complexo. Homens não precisam mais caçar e mulheres não são obrigadas a criar filhos sozinhas. Todos trabalham e todos ajudam em casa, certíssimo para a nossa realidade de mundo! A idéia que quero passar é que, embora tenhamos assumido papéis mais próximos na sociedade, ainda somos, na essência, seres diferentes, como os que descrevi esse tempo todo.

Portanto, é muito importante pararmos de criar esteriótipos "rasos" e de vender idéias de que somos todos iguais a não ser pela cultura porque isso está totalmente errado. Observe as pessoas, conheça cada uma como se fosse um exemplar único vindo de marte, sobre o qual você nada sabe. Se todos fizermos isso, entenderemos as habilidades de cada um e nos organizaremos, cada família e cada grupo de trabalho, de acordo com essas aptidões. Todos têm habilidades e possuem grande valor quando estão trabalhando no seu terreno.

“Todos são gênios. Mas se você julgar um peixe pela habilidade de subir numa árvore, ele vai viver a vida inteira acreditando que é estúpido.”
(Albert Einstein)




domingo, 18 de março de 2012

Vamos discriminar mais as pessoas! - Parte 2

Para quem está chegando agora, no último post comecei a falar sobre as diferenças entre a natureza masculina e feminina do ser humano. Fiquei devendo dois posts de continuação e aqui está o segundo. Enjoy it!

Antes de continuar, vale um esclarecimento: nenhum homem é 100% masculino e nenhuma mulher é 100% feminina. Portanto, não me venham com aquele argumento: "Discordo de você, eu sou mulher (homem) e não faço isso!". Salvas as exceções, se você é uma mulher, provavelmente tem muito mais características femininas do que masculinas. Isso não é uma ciência exata, mas não é coincidência termos, consistentemente, ao longo da história, muito mais homens cientistas e muito mais mulheres pedagogas, professoras infantis, etc. Também não é a toa que a expectativa de vida masculina é menor que a feminina. Espero fazer com que todos entendam de maneira simples o porque disso tudo no final!

O meio



Lembra daquele papo Darwiniano? Pois é. O ser humano que conhecemos hoje é aquele que teve mais condições de sobreviver e se reproduzir na pré história, espalhando mais os seus genes e se tornando "a referência" em ser humano. Para que chegar até aqui e evoluir fosse possível, alguns instintos diferenciados foram fundamentais para os homens e mulheres.

As mulheres só podem reproduzir com um macho por vez. Uma vez grávida, ela vai ficar pelo menos 9 meses em gestação e mais um bom tempo se dedicando ao bebê que vai depender de ser amamentado (na época, uma questão de sobrevivência já que alimento era escasso e o leite provia os primeiros anticorpos que permitiriam que a criança se tornasse mais resistente a doenças). Os homens, por sua vez, podem "fecundar" fêmeas várias vezes em um só dia e, para gerar uma nova criança, não vão precisar de mais esforço do que aqueles 10 minutos que a gente já conhece.

Reflita bem sobre esse contexto porque é da onde sai a explicação para o que somos hoje e para as nossas diferenças. Uma mulher grávida ou amamentando é a pior pessoa possível para caçar. Primeiro porque ela está mais debilitada já que seu corpo alimenta duas pessoas e passou por muitas transformações recentes. Segundo porque, se ela morrer, a criança dentro dela morre ou o pequeno bebê ficará sem o leite materno, expondo muito mais sua saúde já que ele não é capaz de mastigar nada e não existe papinha da nestlê, muito menos uma que já venha com ante corpos. Terceiro porque as mulheres são o gargalo da reprodução. Se você tiver 10 mulheres e 100 homens, consegue produzir 10 bebês a cada 9 meses. Já se você tiver 100 mulheres e 10 homens, consegue produzir 100 crianças no mesmo período. Portanto, mulheres arriscando suas vidas é algo que ninguém quer e nem faz sentido mesmo na pré história.

Por outro lado, o homem "não está fazendo nada mesmo" e pode morrer que rapidamente outro o substitui como provedor de alimentos para as mulheres e crianças. E, novamente, se você tem um grupo de 10 mulheres e 10 homens e perde um homem, o impacto para a sobrevivência do grupo não é significativo.

Considerando tudo que foi dito, é obvio que quem vai caçar é o homem e que a mulher vai ficar na caverna, em segurança, garantindo a sobrevivência das crianças. Aqui é onde as nossas diferenças começam.


Vou guardar para o próximo texto todas as mutações que se provaram benéficas para reforçar esse modelo durante milhões de anos até ficar tão eficiente a ponto de permitir que esse grupo de 20 pessoas numa caverna se tornasse um grupo de 500 numa aldeia, um de 10 mil numa pequena cidade, 1 milhão em metrópoles medievais até o que somos hoje. A sobrevivência passou a ser tão fácil e garantida que pudemos nos dedicar a outras coisas como a ciência que permitiu que eu fizesse um blog e vocês lessem sem nunca terem me visto na vida. =)




domingo, 11 de março de 2012

Vamos discriminar mais as pessoas!

Resolvi escrever sobre esse assunto há alguns dias quando voltei a refletir sobre essa ideia, tão divulgada atualmente, de que somos todos iguais - homens e mulheres. Isso obviamente não é verdade!! Reflita por um momento, observe pessoas de sexos opostos fazendo tarefas comuns e você vai perceber que essa ideia é, na verdade, bem fraquinha... Mas se você não quer se dar esse trabalho de "pesquisa" e ainda é um pouco cético, daqueles que acredita que é tudo uma questão cultural, prometo que vou te surpreender com uma sequência de posts sobre esse assunto!

Antes de começar, queria evitar problemas explicando que o título é uma piadinha com o significado da palavra discriminar. Embora tenhamos fortalecido esse significado de "preconceito" e "injustiça", ela também significa "estabelecer diferenças" - fundamentadas mesmo, como eu pretendo fazer.

O começo


Nos dois primeiros meses de gestação, somos todos iguais. Depois disso, as diferenças só aumentam. Com o tempo de gravidez (não vale a pena aprofundar), a galera do cromossomo XY (homens) começa a desenvolver-se de maneira muito diferente. Quando digo muito diferente, quero dizer que desenvolvemos não só genitais diferente como cérebros diferentes, ossos diferentes, sistemas imunológicos diferentes e órgãos diferentes que produzem hormônios totalmente diferentes a vida toda que vão "dirigir" as mudanças do nosso corpo e do nosso cérebro.


Quando nascemos, logo nos entregam brinquedos como carrinhos e bonecas e é aí que a cultura começa a nos modelar para sermos diferentes, certo? Errado! Em 2007, dois pesquisadores fizeram uma pesquisa muito interessante com 44 macacos: botaram todos numa sala grande cheia de brinquedos tipicamente masculinos e femininos e outros considerados neutros (como livros infantis com imagens). Conseguem imaginar o resultado? Os macacos machos passaram um tempo significativamente maior e se empolgaram mais com brinquedos "de menino" e o inverso aconteceu com as fêmeas. Livros não tiveram muita atenção de nenhum dos sexos... Que tal? Ainda acha que é cultural?

Acho importante notar que, embora muitas vezes a cultura dite as regras para nós seguirmos, um dia essa mesma cultura foi construída por hábitos e experiências nossas! Alguns dos tratamentos diferenciados que damos a homens e mulheres não nasceram na sociedade e sim na nossa natureza. Eramos diferentes em primeiro lugar e aprendemos isso com o tempo. De geração em geração, temos apenas usado dessa experiência acumulada para saber que presente dar a uma menina e como tratá-la considerando que é uma menina! Tentar mudar isso, dando bonecas a garotos, por exemplo, pode ser o mesmo que dar um livro para o seu cachorro esperando que ele vá ler. Isso não faz parte da nossa cultura porque, nesse ponto, a cultura é a experiência acumulada pelas gerações. Percebemos há séculos que cachorros não se interessam por livros e não são capazes de ler e interpretar.

Gostou do que disse? Não? Tem algo a acrescentar? Comentem e salvem os próximos posts sobre o assunto que falarão do "meio" e do "final" das nossas diferenças.